A entrevista concedida pela lobista Roberta Luchsinger à CNN Brasil provocou repercussão política na reta final do segundo turno das eleições presidenciais. Durante a conversa, ela fez duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem chamou de “mentiroso” e “mau-caráter”, e afirmou que “um homem desse não pode continuar como presidente da República”.
As declarações foram comemoradas pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que enfrenta Lula no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
“Bomba na família Lula. ‘Mentiroso e mau-caráter’. Fala tudo, Roberta”, publicou Flávio nas redes sociais, ao compartilhar trechos da entrevista.
Roberta, que mantém uma relação de amizade com Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, também fez acusações contra o filho do presidente. Segundo ela, há informações que pretende apresentar às autoridades, inclusive por meio de um eventual acordo de delação premiada.
A lobista afirmou que não pretende poupar nem Lula nem Lulinha em seus relatos. Ambos são citados em investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de tráfico de influência, segundo as informações divulgadas sobre o caso. As acusações ainda dependem de apuração e não representam comprovação de irregularidades.
Além das críticas ao presidente, Roberta relatou estar recebendo ameaças de morte e demonstrou preocupação com a segurança das filhas.
Diante das declarações, parlamentares da oposição anunciaram medidas para solicitar proteção à lobista. O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), informou que protocolou ofícios à Polícia Federal, ao Ministério da Justiça e à Procuradoria-Geral da República (PGR).
O parlamentar também anunciou que pretende solicitar a convocação do ministro da Justiça, Wellington César, à Comissão de Segurança Pública da Câmara, para prestar esclarecimentos sobre o caso.
A deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT), que exerce a função de procuradora da Mulher na Câmara, também se manifestou e defendeu a adoção de medidas para garantir a integridade física de Roberta e de suas filhas.
“Como Procuradora da Mulher na Câmara, solicito sua inclusão imediata no Programa de Proteção a Testemunhas, diante da gravidade das denúncias e dos riscos à segurança dela e de suas filhas”, declarou a parlamentar.
O Partido Liberal também repercutiu a entrevista e incentivou a lobista a apresentar as informações que afirma possuir. Em publicação na rede social X, a legenda fez críticas ao presidente e defendeu que as denúncias sejam esclarecidas.
Reação de aliados de Lula
Entre os aliados do presidente, a orientação predominante foi evitar ampliar a repercussão da entrevista nas redes sociais.
O deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pelo canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que reúne milhões de apoiadores do presidente, pediu que os integrantes não compartilhassem conteúdos negativos relacionados ao episódio.
“Se a campanha tiver que responder alguma coisa, vai responder na televisão, no jornal, onde a lógica do algoritmo não funciona”, afirmou Janones, ao orientar os apoiadores a não impulsionarem publicações contrárias a Lula.
Já o ministro Guilherme Boulos reagiu estabelecendo uma comparação entre a postura de Lula e a do ex-presidente Jair Bolsonaro diante de investigações envolvendo familiares.
Segundo Boulos, Lula defendeu a apuração das suspeitas envolvendo seu filho, enquanto Bolsonaro teria atuado para interferir na estrutura da Polícia Federal durante investigações relacionadas a Flávio Bolsonaro.
Presidência nega contato com lobista
Em resposta à repercussão, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República divulgou uma nota negando qualquer relação direta entre Lula e Roberta Luchsinger.
Segundo o comunicado, o presidente desconhece os fatos mencionados pela lobista e nunca manteve interlocução com ela.
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger. Como já esclareceu em outras ocasiões, jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas e tampouco tem conhecimento de supostas tratativas como as mencionadas”, informou a Presidência.
O governo também afirmou que não existe contrato federal com Roberta e questionou o momento escolhido para a divulgação das declarações, às vésperas do segundo turno.
A repercussão da entrevista acrescenta um novo episódio de confronto entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro na reta final da disputa presidencial, enquanto as acusações feitas pela lobista aguardam esclarecimentos das autoridades competentes.
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